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Uma mistura entre história, religião e música
Fundado em 1949 por estivadores portuários de Salvador, o afoxé Filhos de Gandhy é um dos maiores símbolos do Carnaval de Salvador e da cultura afro-brasileira. Inspirado nos princípios de paz e não-violência de Mahatma Gandhi, o bloco é uma mistura de ritmos africanos com uma estética inconfundível caracterizada pelos trajes brancos com turbantes e colares azuis e brancos (simbolizando Oxalá e Ogum) e perfume de alfazema.
O bloco surgiu em um contexto de fortalecimento da identidade negra no Brasil e, assim como os outros blocos, veio com o intuito de reafirmar a cultura afro-brasileira.
Presença nas redes sociais
Os Filhos de Gandhy tem uma forte presença online, tendo perfis ativos nas principais redes sociais, dentre elas:
- Instagram: @gandhyoficial
- X: @Banda_Gandhy
- Facebook: Filhos de Gandhy
- YouTube: @AfoxéFilhosdeGandhy
A musicalidade de Filhos de Gandhy
As músicas do afoxé Filhos de Gandhy são marcadas pela percussão no ritmo ijexá, proveniente da cidade de Ilexá, na Nigéria, que veio para o Brasil através dos iorubás escravizados que chegaram na Bahia no final do século XVII. Esse ritmo tem origem nos terreiros de Candomblé e Umbanda, e influenciou diversos artistas da música popular brasileira.
“O títpico tapete branco do bloco Filhos de Gandhy”
No entanto, por ser um bloco com profundas raízes religiosas, as saídas só acontecem após o cumprimento das obrigações espirituais, como o padê para Exu, realizado no Largo do Pelourinho, que visa abrir os caminhos e pedir proteção.
Bloco exclusivamente masculino
O bloco Filhos de Gandhy é formado exclusivamente por homens, e as mulheres podem participar apenas assistindo os desfiles e confeccionando as fantasias e abadás do grupo, além de levar comidas e bebidas aos participantes do desfile durante o cortejo.
Destaque na história de Filhos de Gandhy
Um dos marcos mais importantes do bloco foi a colaboração com grandes nomes da música popular brasileira e do axé, como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Daniela Mercury. Gilberto Gil, inclusive, é filiado ao bloco que fez parte de sua infância desde 1976, e onde desfila todos os anos.
O quase fim do bloco
Durante os anos de 1974 e 1976, o bloco fechou suas portas devido a uma grande crise administrativo-financeira. Com a sua filiação ao bloco, Gilberto Gil contribuiu ativamente para retirar a agremiação da decadência na década de 1970, e até hoje desempenha um papel importante na manutenção da entidade, que é considerada patrimônio imaterial da Bahia.
Cantor e compositor Gilberto Gil com os trajes títpicos do bloco Filhos de Gandhy.
Prêmios e realizações relevantes
Ao longo de 75 anos de existência, Filhos de Gandhy já recebeu diversos prêmios e homenagens como forma de reconhecimento do seu importante papel na sociedade.
Os maiores sucessos do bloco
- “Canto para Oxalá” (1996): música que homenageia Oxalá, orixá associado à paz e sabedoria.
- “Alfazema”: música que ressalta a mensagem de paz pregada pelo bloco
- “O Canto do Povo de Um Lugar” (1975): música originalmente composta e gravada por Caetano Veloso, ganhou uma interpretação especial pelo bloco Filhos de Gandhy.
Tudo o que você precisa saber sobre Filhos de Gandhy
Qual é a principal característica do bloco Filhos de Gandhy no Carnaval de Salvador?
O bloco carrega uma mensagem de paz e espiritualidade, inspirada nos princípios de Mahatma Gandhi, o que faz com que seus integrantes desfilem vestidos de branco, usando turbantes brancos e colares brancos e azuis, remetendo à ancestralidade africana.
Quais foram os momentos mais marcantes na trajetória de Filhos de Gandhy?
O bloco teve vários momentos de destaque em sua história, como as colaborações com Gilberto Gil e Caetano Veloso, que já desfilaram pelas ruas de Salvador com o bloco, a nomeação de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado da Bahia e o reconhecimento no Guiness Book como “o maior afoxé do mundo”.
Por que as músicas do bloco Filhos de Gandhy se tornaram famosas?
Suas músicas se tornaram populares devido ao ritmo animado e às letras cativantes, que misturam o som do agogô com o ritmo ijexá, remetendo à paz, ancestralidade e espiritualidade. Além disso, a participação de Gilberto Gil no bloco, bem como a regravação das músicas por ele e por Caetano Veloso, trouxeram uma visibilidade ao bloco para além das ruas de Salvador.