Considerado o primeiro bloco afro de Salvador, o Ilê Aiyê tem uma história de representatividade na luta pela valorização da cultura negra no Brasil. Fundado em novembro de 1974 por Antônio Carlos dos Santos Vovô, mais conhecido como Vovô do Ilê, e inspirado por diversos movimentos de luta e valorização da cultura negra no mundo, como o movimento Négritude, a prisão de Angela Davis nos Estados Unidos, a criação do “Dia da África” pela ONU, bem como a independência de vários países africanos, o Ilê Aiyê trouxe o que até então não existia no Brasil: um bloco formado apenas por pessoas negras.
O bloco surgiu no terreiro Ilê Axé Jitou, localizado na ladeira do Curuzu, bairro da Liberdade, em Salvador. Daí o nome Ilê Aiyê, que vem do idioma iorubá e significa “nossa casa” ou “nossa terra”, fazendo conexão com as heranças dos orixás e os costumes sociais e culturais da mãe África.
Tabela de conteúdo
Redes sociais do bloco
O Ilê Aiyê é muito ativo nas redes sociais, onde posta sobre os ensaios, shows da Band’Aiyê e outros eventos do bloco. Veja abaixo, os perfis do bloco nas principais redes sociais:
- Instagram: @blocoileaiye
- X: BlocoIleAiye
- Facebook: Ilê Aiyê – Oficial
- YouTube: @blocoileaiye
A trajetória musical do Ilê Aiyê
Apesar do sucesso em Salvador desde sua criação, o bloco gravou seu primeiro CD somente em 1984, intitulado “Canto Negro I”. O segundo disco do grupo, “Canto Negro II”, foi lançado em 1989, mas foi na década de 1990 que as músicas do Ilê Aiyê, junto com outros blocos negros de Salvador, começaram a fazer sucesso em outras regiões do país, o que resultou na gravação de suas músicas por artistas famosos como Daniela Mercury e Caetano Veloso.
Projetos sociais promovidos pelo grupo
Nem só de festa e música vive o Ilê Aiyê. Participando de diversas iniciativas junto à comunidade soteropolitana, em 1995 o bloco iniciou, através do Projeto de Extensão Pedagógica do Ilê Aiyê, a série Caderno e Educação, que publica informações importantes sobre a cultura negra. Além disso, o Instituto da Mulher Negra Mãe Hilda Jitolu, uma organização criada em homenagem à Mãe Hilda, líder religiosa de matriz africana e fundadora do terreiro onde surgiu o bloco, atua para promover acessibilidade de direitos para mulheres e meninas cis e transexuais negras.
“Mãe Hilda teve grande importância na criação do bloco Ilê Aiyê”
A identidade visual do bloco
Reconhecido pelo uso das cores preto, branco, vermelho e amarelo, que simbolizam paz, riqueza cultural e o sangue o povo negro que foi derramado durantes as lutas por libertação, o bloco Ilê Aiyê utiliza turbantes com amarração e roupas e fantasias com tecidos estampados, além do uso de enfeites de palha, contas e búzios.
A máscara africana com quatro búzios abertos na testa, que forma a identidade visual do bloco foi criada em 1978 pelo artista Jota Cunha.
Prêmios e realizações relevantes
Ao longo dos anos, o bloco Ilê Aiyê recebeu diversos prêmios e homenagens, consolidando-se como um dos blocos afro mais importantes do Brasil. Dentre eles, destacam-se:
Músicas mais famosas do Ilê Aiyê
O Ilê Aiyê possui diversas músicas que fizeram sucesso entre os foliões e que foram gravadas por outros artitas, destacando:
- “Que Bloco É Esse?” (1984): música que ressalta a cultura, o orgulho e a luta negra no Brasil.
- “Depois Que O Ilê Passar” (1984): uma das músicas mais famosas do bloco, foi gravada por Caetano Veloso em 1987.
- “Deusa do Ébano” (1992): música que ressalta a beleza da mulher negra.
Pontos importantes sobre o bloco Ilê Aiyê
Como o Ilê Aiyê contribuiu para o fortalecimento da identidade negra no Brasil?
Desde sua criação, o bloco sempre buscou combater o racismo através da valorização da cultura afro-brasileira, seja em suas músicas, vestimentas ou nos projetos sociais que criou, visando a conscientização de crianças e jovens, principalmente aqueles mais marginalizados.
Como o Ilê Aiyê influenciou outros blocos afro?
Inspirado em movimentos internacionais, o Ilê Aiyê foi o primeiro bloco afro do Brasil, influenciando diversos outros blocos, como Olodum, Malê Debalê e Muzenza. O ritmo samba-afro serviu de base para a criação do samba-reggae e outros gêneros musicais que marcam o Carnaval da Bahia.
Qual foi a importância da Mãe Hilda para o Ilê Aiyê?
Mãe Hilda Jitolu foi a fundadora do terreiro Ilê Axé Jitolu, local onde foi a primeira sede do Ilê Aiyê, além de ter sido conselheira espiritual do Vovô Ilê, fundador do bloco.